De carne e osso -Por José Elias


Comunicação nos primeiros passos – décadas de 1960 e 1970 – Brasil vivia era da tecnologia, comandada pelo senador Arnon de Mello. Contato com Brasília – ou de lá pra cá – quase impossível pelo atraso dos aparelhos. Notícias atualizadas só pela Rádio Globo, chiando, mais saindo do que entrando no ar, com muita dificuldade de se sintonizar em Ala-goas.

Ainda sem a TV Gazeta, o dono da Organização Arnon de Mello queria seus pronunciamentos publicados e lidos no jornal e no rádio. Todo respeito de diretores e repórteres, quando o senador ligava ninguém queria atender o telefone, também engatinhando. Não por ele ser chato, mas pelos efeitos que sua fala, na conversa demorada, provocava na Redação.

“É o senador Arnon de Mello, meu filho!” – falava o nome e, sem responder, Petrúcio Vilela passava para o editor Walmir Calheiros. “Seu cara, você tá brincando!” – reagia, come-çando a fazer a pauta, quando reconhecia a voz. Discurso de dez laudas, senador pedia para o jornalista anotar no papel, letra por letra e, depois de uma hora e meia, mandava repe-

tir.

Uma vez, no pique do fechamento do jornal falado, Ailton Villanova, a voz mais bonita do rádio, botou o telefone na mão do diretor Jurandir Tobias. “Isso é uma peste!” – gritou, tentando redigir uma informação da secretaria de Educação, que cobria diariamente. Com raiva, jogou o gravador zerado no chão, que explodiu no segundo andar da Rua do Comércio.

O senador Arnon de Mello se misturava aos colegas de trabalho, sem preconceito, vaidade ficava na calçada e, no papo, não tinha frescura. Não queria ser maior do que ninguém, cumprimentava sem mudar postura de corpo e nunca assumia pouse de patrão. Era ele mesmo, de carne e osso. (No livro Repórter da Política – tudo é mentira – no computasor).

06.08.2018

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José Elias
José Elias iniciou na Gazeta de Alagoas no rádio e jornal. É colunista há 35 anos. Foi diretor de Comunicação da Organização Arnon de Mello e comentarista de política da TV Gazeta. Repórter nas rádios Progresso, Difusora, Palmares, Jornal de Alagoas e Jornal de Hoje. Secretário de Comunicação dos prefeitos Fernando Collor, José Bandeira, Djalma Falcão. E secretário estadual de Comunicação do governo Moacir Andrade.