Independência da miséria – Por José Elias


Dom Pedro I, que decretou a Independência, ficaria decepcionado se voltasse ao Brasil para uma visita de cortesia, na asa de passarinho. Não entenderia a guerra civil no Rio e, em São Paulo, tiraria onda com políticos envolvidos na corrupção, que assusta o mundo. Choraria com abandono da Amazônia, sua devastação irresponsável e, no Recife, pediria pra voltar a cova, onde descansa sem perturbação.

Antes, por curiosidade, cheiro de bala na venta, passaria por Alagoas e, liso, sem nada, não correria risco de ser roubado de cara limpa. Mas sentiria constrangimento de ficar com arma apontada na cabeça – se escapasse do tiro de chegada, logo no desembarque. Ele iria tentar se esconder no Dique-Estada, perto da lagoa, comendo peixe e, visto, sem joias, seria punido tomando uma garrafa de cana.

Quando testemunhasse crianças, sem assistência, morrendo de fome, desmaiaria pela primeira vez na terra, recusando ser medicado no HPS. Na cozinha, apelaria aos anjos o envio de pelo menos meio quilo de charque, farinha e 200 gramas de feijão diante da tragédia nas prateleiras. Pediria um momento de laser e, na porta, no escuro, sem energia, assistiria a comercialização de drogas como divertimento.

De madrugada, não deixaria de criticar a ausência de ações do poder público. Por que os barracos aqui só têm um vão pra abrigar uma família com 10 pessoas? Onde essa multidão faz as necessidades fisiológicas quando a barriga aperta, por exemplo, as quatro da manhã? E conclui que, por incompetência dos poderosos, desemprego leva homens e mulheres a roubar, praticar assaltos, mentir e matar inocentes.

Sem esposa porque, no céu, mulher de anjo é anjo e, sem roupa, ele não carrega mala. Chiou quando foi informado por um cachaceiro que eleição aqui vai se realizar em outubro. “Vai mudar alguma coisa?” – perguntou, imaginando uma resposta positiva. O cara improvisou um copo no lixo e tentou amarrar outro companheiro de pé de balcão. (No livro Repórter da política – tudo é mentira – no computador).

07.09.2018

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José Elias
José Elias iniciou na Gazeta de Alagoas no rádio e jornal. É colunista há 35 anos. Foi diretor de Comunicação da Organização Arnon de Mello e comentarista de política da TV Gazeta. Repórter nas rádios Progresso, Difusora, Palmares, Jornal de Alagoas e Jornal de Hoje. Secretário de Comunicação dos prefeitos Fernando Collor, José Bandeira, Djalma Falcão. E secretário estadual de Comunicação do governo Moacir Andrade.