Um mês em quatro anos – Por José Elias


Candidatos a presidente da República, com outra fisionomia, todos eles mudam a capa do corpo quando começa a eleição no Brasil. Passam quatro anos longe das ruas, dão a impressão que estão escondidos e, de repente, reaparecem na cena do voto, com roupas antigas. Ficam bonzinhos, defensores dos pobres, cheios de propostas nas carteiras no bolso da calça e, no visual, satisfação mentirosa.

Acostumados em aviões particulares, carros blindados, vinho importado na adega, vão às ruas, se misturam à multidão, fazem self bem agarradinhos. Não marcam distância, estão sempre solícitos, batem na barriga e dizem que sentem as dificuldades do povão. Depois de eleitos, voltam às mesmas mordomias, com mesa farta, uísque de primeira qualidade, secre-tárias bonitas e gostosas em todos os gabinetes.

Deixam entrar na venta cheiro do suor daqueles que, durante o dia, suam a camisa para tirar no fim do mês um salário mínimo pra sustentar a família. Alckmin, Marina Silva, Ciro Gomes e Bolsonaro repetem os discursos de antigamente na hora de pedir apoio da massa de manobra. Choram, lembram o passado, produzem parentescos com a pobreza, tomam água, sem cara feia, no caneco dos mendigos.

Se abrir a porta que batem no calor da campanha, eles tomam o café da manhã, almoçam, jantam e, no final, não deixam ninguém meter a mão do bolso. Prometem retornar, juram que já estão com saudade e alguns, depois de muitos ensaios com a assessoria, derramam lágrimas dos olhos. “A distância mata a gente que têm sensibilidade na veia!” – tentam enganar novamente na despedida,

Voltam com presentes, fazem surpresas as crianças e, com as mulheres, que velha-guarda chamava de “acendedoras de vela”, buscam aproximar inocentes. Quando acaba festa, luzes se apagam, eles se acordam e procuram os “salvadores da pátria!” Faixa no peito, sentados na cadeira de autoridades, como dizia Geraldo Sampaio, adeus ingrata. (No livro Repórter da Política – tudo é mentira – no computador).

12.09.2018

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José Elias
José Elias iniciou na Gazeta de Alagoas no rádio e jornal. É colunista há 35 anos. Foi diretor de Comunicação da Organização Arnon de Mello e comentarista de política da TV Gazeta. Repórter nas rádios Progresso, Difusora, Palmares, Jornal de Alagoas e Jornal de Hoje. Secretário de Comunicação dos prefeitos Fernando Collor, José Bandeira, Djalma Falcão. E secretário estadual de Comunicação do governo Moacir Andrade.