Voto limpo e sujo – Por José Elias


Fora da cena política, cuidando da sobrevivência da família, Edberto Ticianelli fez história como candidato e militante de esquerda. Em relação a sua época, voto está de cabeça pra baixo, escondido na cozinha, assistindo filme do passado, tempos que não voltam mais. Não há comparação, personagens de ontem não deixaram lições para os atores de hoje e qualquer semelhança é mera coincidência.

Homem forte das forças progressistas, na inteligência e na coragem pessoal, sempre participou na linha de frente na paz e na guerra. Com Enio Lins e Paulo Poeta, formava ataque imbatível na luta contra ditadura militar, que intimidava a massa, sempre na cola dos seus integrantes. Ticianelli chegou a ser vereador, onde fez um trabalho produtivo em Maceió, levantou bandeira do PCdoB e deu conta do recado.

Eleitor procurava o candidato e hoje, nas ruas, se esconde para não manifestar decepção com desaforos enganchados na goela. No seu tempo, multidão invadia a praça, levada pela simpatia ideológica dos partidos com cheiro do povo e agora bate à porta na cara deles. As famílias mudam de canal no guia eleitoral, ao contrário do interesse de antigamente, onde as salas ficavam em silêncio ouvindo propostas.

Cabos eleitorais andavam de porta em porta, como mendigos percorriam quilômetros para arrecadar a feira. Profissionais do voto agora fecham contratos que, depois das eleições, podem ficar dois anos sem dar um murro numa broa. Antes, no quintal dos magnatas, esperavam horas para conseguir, depois de muitos apelos, o dinheiro do transporte e a cesta básica para garantir café dos meninos no outro dia.

Os mandatos eram legítimos, com algumas exceções, cujas denúncias circulavam nas esquinas pelos fuxiqueiros de plantão. Se notícia vazasse, os linguarudos, todos eles carimbados pelos patrões, eram chamados pra prestar contas. Nos dias atuais, numa ditadura “democrática”, candidatos, longe dos abraços, chegam ao poder pela janela. (No livro Repórter da Política – tudo é mentira – no computador).

13.09.2018

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José Elias
José Elias iniciou na Gazeta de Alagoas no rádio e jornal. É colunista há 35 anos. Foi diretor de Comunicação da Organização Arnon de Mello e comentarista de política da TV Gazeta. Repórter nas rádios Progresso, Difusora, Palmares, Jornal de Alagoas e Jornal de Hoje. Secretário de Comunicação dos prefeitos Fernando Collor, José Bandeira, Djalma Falcão. E secretário estadual de Comunicação do governo Moacir Andrade.