Galinha morta não faz guisado – Por José Elias


Comprei um terreno no Aldebaran Beta – anos 1980 – trazido por Fábio Farias, Marcus Vasconcelos e Hélio Vasconcelos. Apesar de ser um fato novo em ternos de residencial moderno, não havia ainda estourado no mercado, engatinhando no começo do Tabuleiro do Martins. Fui um dos primeiros moradores e, na época, ainda uma mata – com medo dos bi-chos – minha mãe lutava pra não sair de casa.

Na primeira visita, encontrei o engenheiro Luciano Mota, responsável pela construção do condomínio, inspecionando as obras. Depois do papo, quis saber quando iria fazer a casa – haviam só três na ex-fazenda – oferecendo uma ajuda na sua profissão. Confessei estar liso, ele olhou pra o gol novo que financiei pra minha mulher, fez as contas num pedaço de papel velho e, na hora, fechamos o negócio.

Entra aí o agrônomo Mário Agra, militante comunista, irmão de Denis Agra, cunhado de Regis Cavalcante, amigo de antigos carnavais. Apareceu de repente sugerindo levantamento pra fazer um jardim na ampla área que sobrou depois de prontas sala, três quartos e cozinha. Da tropa de choque do PCdoB, liderado por Eduardo Bomfim, comandava a massa com Enio Lins, Edberto Ticianelli e Thomáz Beltrão.

Um sábado, cheio de sol, ele chegou logo cedo, em cima de uma caminhonete, pegando no empurrão, pra iniciar os trabalhos. Pureza, minha esposa, pediu pra fazer guisado de galinha e, como só havia pintinhos no quintal, saimos em busca de coxa e sobre-coxa pra botar no fogo. Via Expressa totalmente diferente, passamos em frente ao Bar do Suruagy, que foi vizinho de meus pais no Alto da Conceição.

Com calor, deu sede no gogó de Mário Agra que, com educação, parou o carro e desceu para molhar o bico. Depois da primeira dose, com charque no feijão, saído da panela, como tira-gosto, emendamos os bigodes. Voltamos a noite, querendo não dar “bandeira”, com a galinha morta, já dura, recebidos pela dona da casa de cara feira. (No livro Repórter da Política – tudo é mentira – no computador).

30.09.2018

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José Elias
José Elias iniciou na Gazeta de Alagoas no rádio e jornal. É colunista há 35 anos. Foi diretor de Comunicação da Organização Arnon de Mello e comentarista de política da TV Gazeta. Repórter nas rádios Progresso, Difusora, Palmares, Jornal de Alagoas e Jornal de Hoje. Secretário de Comunicação dos prefeitos Fernando Collor, José Bandeira, Djalma Falcão. E secretário estadual de Comunicação do governo Moacir Andrade.