Beijoca rompedor e beijoca conversador – Por José Elias


Atacante rompedor, porte de atleta, Beijoca surgiu no Flamengo, do Rio, como o artilheiro das multidões na década dos anos 1980. Emplacou, fez muitos gols, virou ídolo, entrou no coração da torcida e, sem profissionalismo na época, acabou encerrando a carreira em Maceió. Casou aqui, baixou padrão de vida, passou a ser motorista de praça para sobrevi-ver das dificuldades que enfrentou no Nordeste.

Campinho pequeno – cinco contra cinco – reunia um grupo de amigos que juntava craques com pernas de pau metidos a Zico e Pelé. Nas quatro linhas – separações de brigas – Eu, Fábio Farias, Hélio Vasconcelos, delegado Massa, Wasghigton Luiz, coronel Gaia, Isnaldo Bulhões, Ticanho, Marcelo Malta, Luiz Dantas, Augusto Farias, Gilmar Mendonça… Política de Alagoas assistia, na arquibancada, os gols.

Rafael Tenório – companheiro de infância – levou um cunhado, casado com a irmã de sua esposa, comerciante como ele. Cópia fiel de Beijoca, jogador famoso do Flamengo, no tamanho, fala, nos gestos, cabelo e no andar. Batia forte, trombava com todo mundo, mas não tinha intimidade com a bola. Era o cara que levava o tira-gosto para a resenha depois do banho em meio a cerveja gelada e uísque.

Quando tomava uma, na primeira dose, começava a conversar, verdade acabava e ele continuava no papo até de manhã. Um sábado, realizou festa no quintal da casa e, uma semana antes, convidou todo mundo pra comer e beber de graça. Encheu a cara e saiu mostrando salas e quartos. Num deles, maior suspense. Pediu para o grupo se afastar sob alegação de que, lá dentro, ninguém podia chegar.

Ticainho, dentista, curioso, sem ninguém notar, cochichou no ouvido dele: “O que tem ali, seu cara?” – perguntou. “Não diga nada a ninguém!” – falou. “Ta cheia de dinheiro…” – pediu segredo. Sílvio Borges abriu a porta e descobriu que, em caixas, ele estocava charque, feijão, arroz, macarrão, alho, vinagre… No outro dia, Beijoca mudou o caminho por onde andava e nunca mais apareceu. (No livro Repórter da Política  – Tudo é mentira – no Computador).

01.10.2018

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José Elias
José Elias iniciou na Gazeta de Alagoas no rádio e jornal. É colunista há 35 anos. Foi diretor de Comunicação da Organização Arnon de Mello e comentarista de política da TV Gazeta. Repórter nas rádios Progresso, Difusora, Palmares, Jornal de Alagoas e Jornal de Hoje. Secretário de Comunicação dos prefeitos Fernando Collor, José Bandeira, Djalma Falcão. E secretário estadual de Comunicação do governo Moacir Andrade.